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Mikhail Bakunin
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Mikhail Bakunin 1
Mikhail Bakunin
Mikhail Aleksandrovitch Bakunin
Михаил Александрович Бакунин
Nascimento 30 de Maio de 1814
Premukhimo
Império Russo
Morte
Ocupação
1º de julho de 1876 (62 anos)
Berna, Suíça
sociólogo, filósofo, agitador, revolucionário e teórico libertário.
Influências
Influenciados
Escola/tradição
Principais interesses
Ideias notáveis
Paneslavismo, anarquismo
sociologia, economia, história, política, ação direta.
Ateísmo, Antiestadismo, Anticapitalismo, Coletivismo, Contraposição à Ditadura do Proletariado, Educação integral,
Federalismo, Propaganda pelo Ato, Rede Invisível, Revolução social
Assinatura
Mikhail Aleksandrovitch Bakunin (em russo Михаил Александрович Бакунин; Premukhimo, 30 de maio de
1814 — Berna, 1 de julho de 1876), também aportuguesado de Bakunine ou Bakúnine, foi um teórico político
russo, um dos principais expoentes do anarquismo em meados do século XIX.
Nascido no Império Russo de uma família proprietária de terras de tendência nobre, Mikahil Bakunin passou sua
juventude em Moscou estudando filosofia e começou a frequentar os círculos radicais onde foi em grande medida
influenciado pelas ideias de Aleksandr Herzen. Deixou a Rússia em 1842 mudando-se para Dresden (Alemanha), e
depois para Paris (França), onde conheceu grandes pensadores políticos entre estes George Sand, Pierre-Joseph
Proudhon e Karl Marx.
Foi deportado da França por discursar publicamente contra a opressão russa na Polônia. Em 1849 foi preso em
Dresden por sua participação na Rebelião de 1848. Levado de volta ao Império Russo, foi aprisionado na Fortaleza
de Pedro e Paulo em São Petersburgo, permanecendo preso até 1857, quando foi exilado em um campo de trabalhos
forçados na Sibéria. Conseguiu escapar do exílio na Sibéria indo para o Japão, mudou-se para os Estados Unidos, e
Mikhail Bakunin 2
de lá retornou para Londres, ficou nessa cidade durante um curto período de tempo em que juntamente com Herzen
colaborou para o periódico jornal radical Kolokol ("O Sino"). Em 1863 Bakunin partiu da Inglaterra para se juntar a
insurreição na Polônia, mas não conseguiu chegar ao seu destino, permanecendo algum tempo na Suíça e na Itália.
Apesar de ser considerado um criminoso pelas autoridades religiosas e governamentais, já naquela época, Bakunin
havia se tornado uma figura de grande influência para a juventude progressista e revolucionária, não só na Rússia,
mas por toda a Europa. Em 1868, tornou-se membro da Associação Internacional de Trabalhadores, uma federação
de progressistas e organizações sindicais com grupos em grande parte dos países europeus.
Em 1870, entrou na insurreição de Lyon, um dos principais precedentes da Comuna de Paris. Em 1872 Bakunin
havia se tornado uma figura influente na AIT, fazendo com que, através de suas posições o congresso ficasse
dividido em duas tendências contrapostas: uma delas que se organizava em torno da figura de Marx que defendia a
participação em eleições parlamentares e a outra, de caráter libertário, se opunha a esta participação considerada não
revolucionária, se articulava em torno de Bakunin.
A posição defendida pelo círculo de Bakunin acabaria sendo derrotada em votação, e ao fim do congresso, Bakunin e
muitos membros foram expurgados sob a acusação de manterem uma organização secreta dentro da Internacional.
Os libertários, entre eles Bakunin responderam a acusação afirmando que o congresso fora manipulado, e que por
esse motivo organizariam sua própria conferência da Internacional em Santo-Imier na Suíça depois de 1872.
Bakunin manteve-se envolvido com muita atividade no âmbito dos movimentos revolucionários europeus. De 1870 à
1876, escreveu grande parte de sua obra, textos como Estadismo e Anarquia e Deus e o Estado. Apesar de sua saúde
frágil, tentou participar em uma insurreição em Bolonha, mas foi forçado a voltar para a Suíça disfarçado, para
receber tratamento médico. Mais tarde, morando em Lugano conviveu com Errico Malatesta.
No final de sua vida com muitos problemas de saúde, foi levado da Itália para um hospital em Berna, onde morreu
em 1876.
Bakunin é lembrado como uma das maiores figuras da história do anarquismo e um oponente do Marxismo em seu
caráter autoritário, especialmente das ideias de Marx de Ditadura do Proletariado. Ele segue sendo uma referência
presente entre os anarquistas da contemporaneidade, entre estes, nomes como Noam Chomsky. [1]
Biografia
Primeiros anos
Mikhail Bakunin 3
No dia 18 de maio, a meio da primavera do ano de 1814, nascia
Mikhail Alexandrovich Bakunin na pequena cidade de Premukhimo,
(Прямухино) entre Torzhok (Торжок) e Kuvshinovo (Кувшиново), na
província de Tver, noroeste de Moscou.
Nascido em uma família de linhagem nobre, formada por grandes
proprietários de terra. Um dos sete filhos de Alexander Michailowitsch
Bakunin e Varvara A. Bakunin (nascida Varvara Muravyov). Durante a
infância de Mikhail, seu pai Alexander, que se identificava-se com o
liberalismo europeu e a Revolução Francesa, apresentou a sua família
as ideias em torno deste movimento e ofereceu aos seus filhos uma
educação primária baseada nestes mesmos ideais.
Retrato de Varavara A. Bakunin, mãe de Mikhail.
Nos entanto, depois dos levantes dezembristas, Alexanders Bakunins
horrorizado com a violência e temeroso que as ideias liberais lhes
causasse problemas tornou-se um leal czarista a defender os benefícios
da aristocracia russa, que a época, quase toda ela era composta por
famílias da nobreza daquele país. Nesta mesma época Alexander
decidiu mandar Mikhail para São Petersburgo para que ele se tornasse
um oficial de artilharia. [2] Aos 14 anos de idade Mikhail Bakunin
deixou a casa de sua família Premukhimo para a Universidade de
Artilharia em São Petersburgo. Lá o jovem Bakunin completou seus
estudos em 1832, e em 1834 foi promovido a oficial júnior da Guarda
Imperial Russa. Seu pai imediatamente exigiu que ele fosse transferido
para o exército regular. Após a transferência de cargo a bateria na qual
Bakunin estava alistado fora enviada à Minsk e Gardinas na Lituânia.
Retrato de Alexander Michailouiitsch Bakunin,
pai de Mikhahil.
seu pai: tornar-se um grande oficial de carreira militar.
Deprimido e insociável, em meio ao inverno rigoroso e preso em uma
pequena aldeia congelada, o jovem Bakunin passaria a negligenciar
seus deveres, mentindo para passar os dias envolto em pele de carneiro.
Diante da incontinência o oficial em comando lhe deu duas opções,
retomar suas funções regulares ou desligar-se do exército. Bakunin
escolheria a segunda retornando para casa no início da primavera. [3]
Diante do seu retorno, a relação com o pai se tornaria cada vez mais
conflituosa. No verão seguinte tomaria parte em uma briga familiar
assumindo o lado de sua irmã que se rebelara contra o pai a defender
um casamento no qual sua filha se sentia infeliz. Em 1835 Mikahil
Bakunin partiu para Moscou com o objetivo de estudar filosofia. A
escolha se contrapunha frontalmente ao projeto de vida defendido por
Interesse por filosofia
Em Moscou, Bakunin tornou-se amigo de um grupo de estudantes universitários, engajados no estudo sistemático de
filosofia idealista, agrupados em torno da figura do poeta Nikolay Stankevich, "o arrojado pioneiro que expôs ao
pensamento russo o vasto e fértil continente da metafísica alemã" (E. H. Carr). A filosofia de Kant inicialmente era
central neste círculo de estudos, mas depois progrediram para Schelling, Fichte, e Hegel. No outono de 1836,
Bakunin decidiu formar um círculo de estudos filosóficos em sua cidade natal de Premukhino; um espaço passional
onde jovens se reuniam não só para o estudo de filosofia. Neste círculo de estudos Vissarion Belinsky se apaixonaria
Mikhail Bakunin 4
por uma das irmãs de Bakunin. No início de 1836, retornou a Moscou, onde publicou algumas traduções de Algumas
Leituras Acerca da Vocação Escolar e O Caminho da Vida Abençoada de autoria de Fichte, este havia se tornado
seu livro favorito. Com Stankevich ele também leria Goethe, Schiller e E.T.A. Hoffmann.
Ele se tornou amplamente influenciado pelo
pensamento de Hegel e foi o autor da primeira tradução
de sua obra para o idioma russo. Durante esse período
ele conheceu o eslavófilo Konstantin Aksakov, Piotr
Tschaadaev e os socialistas Aleksandr Herzen e
Nikolay Ogarev. Nessa época começou a desenvolver
uma perspectiva pan-eslávica. Depois de longas
discussões com seu pai, Bakunin foi para Berlin em
1840. Inicialmente planejava tornar-se um professor
universitário (um "sacerdote da verdade" tal qual
imaginava ele e de seus amigos), mas logo Casa da família de Bakunin em Premukhimo, em 1860.
encontrou-se e tomou parte em um coletivo de
estudantes denominados a "Esquerda Hegeliana", e uniu-se ao movimento socialista em Berlin. Em seu ensaio de
1842 A Reação na Alemanha, ele argumentava em favor da ação revolucionária da negação, resumida na frase
a paixão pela destruição é uma paixão criativa. [4]
Depois de três semestres em Berlin, Bakunin foi para Dresden onde tornou-se amigo de Arnold Ruge. Ele também
havia lido o ensaio de Lorenz von Stein Der Sozialismus und Kommunismus des heutigen Frankreich e a época era
considerado um socialista fervoroso. A esse tempo havia abandonado seu interesse em uma carreira acadêmica,
devotando mais e mais do seu tempo a promoção da revolução. Preocupado com seu radicalismo o governo imperial
russo ordenou que ele retornasse a Rússia. Diante de sua recusa todas as suas propriedades em território russo foram
confiscadas. Nesta mesma época Bakunin foi para a cidade suíça de Zurique com Georg Herwegh.
Suíça, Bruxelas, Praga, Dresden e Paris
Durante seis meses Bakunin permaneceu Zurique, tornando-se muito
próximo de Wilhelm Weitling. Até o ano de 1848 seguiu tendo boas
relações com os comunistas alemães, ocasionalmente se
autoproclamando um comunista e escrevendo artigos sobre comunismo
no periódico Schweitzerische Republikaner. Acabou por mudar-se para
Genebra no oeste suíço após a prisão de Weitling. Seu nome aparecia
frequentemente na correspondência de Weitling apreendida pela
polícia. Este fato fez com que relatórios a seu respeito circulassem
entre a polícia suíça e o Império Russo. Não demorou para que o
embaixador russo em Berna ordenasse o retorno de Bakunin à Rússia.
Este não obedeceu aos ditames do estado russo, ao invés disso foi para
Bruxelas, onde se encontrou com oradores do nacionalismo e do
progressismo polonês, como Joachim Lelewel, membro da Associação
Internacional de Trabalhadores junto com Karl Marx e Friedrich
Engels.
Mandato de expulsão emitido pela prefeitura de
polícia de Paris a Mikhail Bakunin em 1847.
Mikhail Bakunin 5
Lelewel teve grande influência sobre Bakunin, no entanto, não demorou para que este último rompesse com os
nacionalistas poloneses frente à suas demandas pela restauração de uma Polônia histórica baseada nas fronteiras de
1776 (antes da divisão da Polônia), somado ao fato de que também sua defesa ao direito de autonomia das
populações não-polonesas nestes territórios era paulatinamente desconsiderada. Bakunin também não apoiava o
clericalismo reinante entre os nacionalistas da Polônia, e também estes não demonstraram qualquer apoio à defesa da
emancipação do campesinato propalada por ele.
Em 1844 Bakunin foi a Paris, que então era considerada um dos principais centros do pensamento progressista
revolucionário europeu. Nessa cidade, estabeleceu contato com o comunista Karl Marx e o anarquista Pierre-Joseph
Proudhon. Este último lhe impressionou prontamente e com ele Bakunin estabeleceu fortes laços pessoais. Em
Dezembro de 1844, o imperador Nicolau lançou um decreto refutando os privilégios de Bakunin, destituindo-o de
seu título de nobre bem como a quaisquer direitos civis, confiscando suas posses na Rússia, e condenando-o ao exílio
para o resto de sua vida na Sibéria caso as autoridades russas alguma vez conseguissem pegá-lo.
Bakunin prontamente respondeu o decreto com uma longa carta La Réforme, denunciando o imperador como um
déspota e fazendo um chamado para a democracia na Rússia e na Polônia (Carr, p. 139). Em março de 1846 em outra
carta intitulada Constitutionel Bakunin defendeu a Polônia da repressão orquestrada nesse país pelos católicos.
Alguns refugiados poloneses da Cracóvia, que se instalaram na França após a derrota do Levante da Cracóvia,
convidaram-no para discursar [5] em um de seus encontros em novembro de 1847 em comemoração ao Levante de
Novembro de 1830.
Em seu discurso, Bakunin fez um chamado por uma aliança entre a população russa e polonesa contra o imperador,
em prol do "colapso definitivo do despotismo na Rússia". Em consequência deste chamado foi expulso da França e
dirigiu para Bruxelas. Lá, Bakunin faria um apelo para que Aleksandr Herzen e Vissarion Belinsky se envolvessem
em uma ação conspiratória em favor da revolução social na Rússia. No entanto, nenhum dos dois daria ouvidos a ele.
Também em Bruxelas, Bakunin restabeleceu contato com poloneses revolucionários e voltou a encontrar com Karl
Marx. Em um encontro organizado por Lelewel em fevereiro de 1848 ele discursou sobre o grande futuro reservado
aos eslavos, cujo destino era rejuvenescer a Europa Ocidental. Por essa época na embaixada russa circulavam
rumores de que Bakunin era um agente russo que havia excedido suas ordens.
Frente ao fim do movimento revolucionário de 1848, Bakunin não
continha seu desapontamento frente aos parcos resultados alcançados
na Rússia. Ainda assim, junto aos revolucionários do Governo
Provisório - Ferdinand Flocon, Louis Blanc, Alexandre Auguste
Ledru-Rollin e Albert L'Ouvrier - havia obtido algum recurso com o
objetivo de fomentar a criação de uma Federação de Eslava cuja
finalidade seria libertar as populações que permaneciam sob o controle
da Prússia, do Império Austro-Húngaro e da Turquia. Partiu para a
Alemanha viajando de Baden à Frankfurt e Köln.
Litografia de Bakunin em 1849.
Bakunin apoiou a Legião Democrática Alemã liderada por Herwegh e
não poupou esforços tentando vinculá-la à insurreição de Friedrich
Hecker em Baden. Posteriormente ele romperia com Marx com relação
ao criticismo de Herwegh. Muito mais tarde em 1871 – Bakunin
escreveria: "Eu preciso admitir abertamente que nessa controversia,
Marx e Engels estavam certos. Com sua insolência característica eles
atacaram pessoalmente Herwegh quando ele não estava lá para se
defender. No confrontamento cara-a-cara com eles, eu calorosamente
defendi Herwegh, e nossa desavença mútua aí teve seu início." [6]
Mikhail Bakunin 6
Em Berlin, foi impedido pela polícia de chegar em Posen, onde estava acontecendo uma insurreição popular. À
época esta cidade compunha os territórios Poloneses tomados pela Prússia nas Divisões da Polônia. Frente ao
impedimento foi para Leipzig e Breslau, de lá para Praga onde participou do Primeiro Congresso Pan Eslávico. O
congresso foi seguido por uma insurreição malfadada que buscou promover e intensificar mas que, por fim, foi
violentamente suprimida. Retornando a Breslau ficou sabendo que Marx havia alegado publicamente que ele era um
agente imperial. Frente à acusação, Bakunin exigiu que George Sand apresentasse suas evidências. Marx se retrataria
depois que a própria George Sand veio em sua defesa.
No outono de 1848 Bakunin publicou seu Apelo aos Eslavos, [7] no qual propunha que os revolucionários eslavos se
unissem com os revolucionários húngaros, italianos e alemães para derrubar as três maiores autocracias da Europa, o
Império Russo, o Império Austro-Húngaro, e o Reino da Prússia.
Mikhail Bakunin teve um papel de destaque no Levante de Maio em Dresden em 1849, ajudando a organizar a
defesa das barricadas contra as tropas prussianas com Richard Wagner e Wilhelm Heine. Wagner escreveria em sua
biografia sobre a atuação do grande anarquista em Dresden e Praga, bem como sobre a aura revolucionária que
emanava de suas ações: [8]
Bakunin (sentado a frente da mesa) se reúne com membros do
governo provisório na prefeitura da cidade de Dresden, em 1949.
Por anos havia cruzado com seu nome nos jornais, e sempre sob extraordinárias circunstâncias extraordinárias. Ele voltou a Paris
para um encontro polonês, mas ainda que fosse um russo, ele declarou que pouco importava se um homem era russo ou polaco, se
ele desejasse ser um homem livre, isso era tudo o que importava. Ouvi mais tarde de George Herwegh, que ele havia renunciado
toda sua riqueza enquanto membro de uma influente família russa, e que um dia, quando toda sua fortuna consistia em dois francos,
ele a entregou para um mendigo na bulevar, porque isso lhe causava irritação, estar preso por suas posses, suas preocupações
estavam no amanhã. Fui informado de sua presença em Dresden um dia por Rockel, mais tarde ele se tornaria um fervoroso
republicano. Ele havia levado o russo para sua casa, e me convidou para ir lá e conhecê-lo. Naquela época Bakunin estava sendo
perseguido pelo governo da Áustria por sua participação nos eventos que ocorreram em Praga no verão de 1848, e porque ele era
membro do Congresso Eslavo que precedeu àqueles acontecimentos. Em decorrência desta perseguição Ele teve procurar refúgio
em nossa cidade, mas de forma que não desejava permanecer muito longe da fronteira com a Boemia. A sensação extraordinária
que ele criou em Praga advinha do fato que, quando os tchecos buscaram a proteção da Rússia contra a temerosa polícia
germanizada da Áustria, ele conjurou-os eles próprios a defender-se com fogo e espada contra aqueles mesmos russos, e também
contra quaisquer outras pessoas que vivessem sob o mando de um despotismo como aquele dos czares.
Bakunin seria capturado pelos saxões em Chemnitz e trancafiado por treze meses antes de ser condenado a morte
pelo governo da Saxônia; Uma vez que os governos da Rússia e Áustria também estavam atras dele, sua sentença foi
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comutada para prisão perpétua. Em junho de 1850, ele foi enviado para as autoridades austríacas. Onze meses depois
recebeu uma sentença de morte compulsória, que também seria comutada para prisão perpétua. Finalmente, em maio
de 1851, Bakunin foi enviado para as autoridades russas.
Aprisionamento, "confissão" e exílio
Bakunin foi levado a notória prisão da Fortaleza de
Pedro e Paulo. No início de sua sentença, conde Orlov,
um emissário do Imperador, visitou Bakunin e disse a
ele que o Imperador requisitava uma confissão por
[9]
escrito esperando que a confissão pudesse
encaminhar Bakunin espiritual e fisicamente frente ao
poder do estado russo. Uma vez que todos seus atos
eram conhecidos, ele não possuía segredos a serem
revelados, decidiu escrever ao Imperador:
Cela em que Bakunin ficou confinado na Fortaleza de Pedro e Paulo.
Você quer a minha confissão; mas você precisa saber que um criminoso penitente não é obrigado a implicar ou revelar as ações de
outrem. Guardo apenas a honra e a consciência de que jamais traí quem quer que tivesse confiado em mim, e é por esse motivo que
não lhe entregarei nenhum nome.
Ao ler a carta, o imperador Nicolau I teria dito: "Ele é um bom rapaz, cheio de espirito, mas é um homem perigoso e
não devemos jamais deixar de vigiá-lo." A confissão seria publicada muito posteriormente, após ser descoberta em
meio aos arquivos imperiais. Este documento provou ser bastante controverso, e por diversas vezes foi analisado no
contexto da forma específica da literatura russa.
Depois de três anos em uma pequena cela da Fortaleza de São Pedro e São
Paulo, ele passaria outros quatro trancafiado nas masmorras subterrâneas do
castelo de Shlisselburg. Lá ele sofreria com o escorbuto e todos seus dentes
cairiam como resultado da aterradora dieta. Mais tarde Bakunin diria que ele
encontrou algum alento ao rememorar mentalmente a lenda de Prometheus.
Seu contínuo aprisionamento nessas terríveis condições fizeram com que ele
pedisse ao seu irmão que lhe trouxesse veneno para que desse um fim ao seu
sofrimento.
Após a morte de Nicolau I, o novo imperador Alexandre II exigiu que o nome
de Bakunin ficasse fora da lista de anistia. No entanto, em fevereiro de 1857,
sua mãe fez um apelo ao imperador que resultou na deportação do libertário
ao exílio permanente na cidade de Tomsk, na Sibéria Ocidental. Após um ano
de sua chegada em Tomsk, Bakunin casou com Antonia Kwiatkowska, a filha
de um mercador polonês. Anteriormente ele havia ensinado francês a ela. Em
agosto de 1858 Bakunin recebeu a visita do seu primo em segundo grau, o
conde Nikolay Muravyov-Amursky, que fora governador-geral da Sibéria
Ocidental por dez anos.
Primeira página das confissões de
Bakunin ao kzar Nicolau I
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Muravyov era um liberal e Bakunin, enquanto seu parente, tornou-se seu primo favorito. Na primavera de 1859,
Muravyov ajudou Bakunin com um emprego na Agência de Desenvolvimento de Amur o que permitiu que ele e sua
companheira se mudassem para Irkutsk, a capital da Sibéria Oriental. Esta mudança possibilitou que Bakunin fizesse
parte do círculo de discussões políticas centrado no quartel general da colônia de Muravyov.
A administração regional estava ressentida com o tratamento despendido a
colônia pela burocracia de São Petesburgo, que lhe destinava o caráter de
colonia penal para criminosos e descontentes. Neste ambiente emergiu a
proposta para a criação de um Estados Unidos da Sibéria, independente da
Rússia e confederado no junto a um novo Estados Unidos da Sibéria e
América, seguindo o exemplo dos Estados Unidos da América. O círculo
incluía o jovem chefe do Estado Maior, Kukel — o qual relatava Kropotkin,
tinha em sua posse a obra completa de Aleksandr Ivanovitch Herzen – o
governador civil Izvolsky, que permitiu que Bakunin utilizasse seu endereço
para correspondência, e o eventual vice de Muravyov, seu provável sucessor,
o general Alexander Dondukov-Korsakov.
Quando Herzen criticou Muravyov em O Sino, Bakunin escreveu uma
resposta vigorosa na defesa de seu patrono. [10] Cansado de seu emprego como
Com sua companheira Antonia viajante comercial, ainda que agradecido pela influência de Muravyov,
Kwiatkowska, em meados de 1861 Bakunin havia conseguido alguns benefícios (recebia 2.000 rubros por ano)
sem ter que pagar nenhum imposto. No entanto, Muravyov seria forçado a se
aposentar de seu cargo de governador-geral. em parte por sua conduta liberal, em parte pelo temor de que ele
pudesse levar a Sibéria a um movimento de independência.
Muravyov seria substituído por Korsakov, que por sua vez também era parente de Bakunin. O irmão de Bakunin,
Paulo, havia casado com sua prima. Tomando a palavra de Bakunin, o novo governador-geral deu-lhe uma carta
permitindo a ele passagem em todos os barcos que circulassem no rio Amur e seus tributários desde que ele voltasse
para Irkutsk antes do retorno do gelo.
Fuga do exílio e retorno à Europa
Em 5 de Junho de 1861, Bakunin deixou Irkutsk para supostamente tratar de negócios da companhia, aparentemente
empregado por um mercador siberiano para fazer uma viagem até Nikolaevsk. Em 17 de Julho ele estava a bordo do
navio de guerra Strelok indo para Kastri. No entanto, no porto de Olga, Bakunin conseguiu convencer um capitão
americano da nau SS Vickery a levá-lo a bordo. A bordo, para sua surpresa se deparou com o consul russo, mas ainda
assim passou despercebido e parte navegando sob o nariz da Marinha Imperial Russa. Em 6 de agosto chegou a
Hakodate na ilha de Hokkaido, extremo norte do arquipélago do Japão, e logo estava em Yokohama.